ODISSEU E EU

O céu pela janela, coruja pousa no fio.

inevitável o despertar.

Um terço da noite partiu,

e logo as asas abriu.

Moinho de idéias.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Ao pé da serra nem vejo passar o tempo, conheci o que é o amor foi lá na Roda dos Ventos (ciranda)












De mochila nas costas e caixas que trovam
puzemos o pé na estrada com a graça de São Cristovãm.

Na terra de chão até desliguei o disco
pra ouvir os caoncioneiros amigos de São Francisco.

Cheguei na varanda pra fazer uma oração
pedido a Nossa Senhora paz, amor e proteção.

Trilhei até Santa Bárbara pra pedir de coração
a prece foi atendida sob chuva e trovão.

Atrapalha a caminhada se a chuva não pára
então eu olhei pro céu e rezei pra Santa Clara.

Aconselho São Jorge cuide bem da tua 
que conheço um violeiro enamorado pela lua.

Ao aparecer estrelas dançamos ao nosso som
pedindo a Santo Antônio o que oferece de bom.

Lugar de Bicho





                                                                    Foto de Neander Heringer



                                                                        Foto de Neander Heringer




Foto de Neander Heringer









Os bichos não são “de circo” nem circo é “da bicharada”.
Lugar de bicho é no mundo “mundo, mundo, vasto mundo”!
Livre e solto, solto e livre,
livre como um sentimento voando livre e mais nada.
Lugar de peixe é no rio
de pinguim é no frio
de saracura é no brejo
de tatu é no buraco
de passarinho é no vento,
lugar de onça é no mato.
Bicho não nasceu pra gente prender, matar, consumir!
Nem pra curral ou gaiola, pra viver triste e sombrio.
Do jeito como é com a gente, bicho é uma outra gente
que nasceu pra ser feliz:
pra nadar, correr, namorar e viver a vida dele como ele sempre quis.
Fazer ninho, toca, abrigo, botar ovo e criar filho
e ter no mundo a sua casa e ver em nós seu amigo.
Por mais que a cabeça invente uma razão pra “ter bicho”
e mandar na vida dele,
o bicho é uma outra gente e gente a gente não compra,
não troca, não dá e não vende nem faz dele o que quiser.
Não maltrata, bate e prende,
pois como eu e você, pois como homem e mulher
bicho nasceu para ser livre como qualquer outra gente.
Como qualquer outra gente qualquer.
De bicho não quero ser dono
eu quero ser só um irmão.
Não quero bicho na jaula, no açougue ou na geladeira ou nas grades do alçapão.
Eu quero é bicho voando livre livre livre livre
no céu desse mundo inteiro.
No céu do meu coração!
Autor: Carlos Rodrigues Brandão
Musicada para o álbum: Cantilenas de Jardim, de Fernando Guimarães