Foto de Neander Heringer
Foto de Neander Heringer
Foto de Neander Heringer
Os bichos não são “de circo” nem circo é “da bicharada”.
Lugar de bicho é no mundo “mundo, mundo, vasto mundo”!
Livre e solto, solto e livre,
livre como um sentimento voando livre e mais nada.
Lugar de peixe é no rio
de pinguim é no frio
de saracura é no brejo
de tatu é no buraco
de passarinho é no vento,
lugar de onça é no mato.
Bicho não nasceu pra gente prender, matar, consumir!
Nem pra curral ou gaiola, pra viver triste e sombrio.
Do jeito como é com a gente, bicho é uma outra gente
que nasceu pra ser feliz:
pra nadar, correr, namorar e viver a vida dele como ele sempre quis.
Fazer ninho, toca, abrigo, botar ovo e criar filho
e ter no mundo a sua casa e ver em nós seu amigo.
Por mais que a cabeça invente uma razão pra “ter bicho”
e mandar na vida dele,
o bicho é uma outra gente e gente a gente não compra,
não troca, não dá e não vende nem faz dele o que quiser.
Não maltrata, bate e prende,
pois como eu e você, pois como homem e mulher
bicho nasceu para ser livre como qualquer outra gente.
Como qualquer outra gente qualquer.
De bicho não quero ser dono
eu quero ser só um irmão.
Não quero bicho na jaula, no açougue ou na geladeira ou nas grades do alçapão.
Eu quero é bicho voando livre livre livre livre
no céu desse mundo inteiro.
No céu do meu coração!
Autor: Carlos Rodrigues Brandão
Musicada para o álbum: Cantilenas de Jardim, de Fernando Guimarães